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100 ANOS DA ASSEMBLEIA DE DEUS NO BRASIL

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domingo, 5 de abril de 2009

Libertação espiritual

Libertação espiritual
A escravidão negra no Brasil foi uma dura e desumana realidade que faz parte da nossa história. Gilberto Freire no seu livro “Casa Grande e Senzala” retrata a vida dos escravos em seus múltiplos aspectos. Relata o tratamento cruel que recebiam dos seus senhores. Trabalhos acima da capacidade, não tinham nenhuma regalia, espancamento, tronco, abusos sexuais e outros.
O dia 13 de maio de 1888 a pena real da princesa Isabel deu fim no Rio de Janeiro à escravidão no Brasil. Essa lei chamou-se a Lei áurea. Todos eram livres desse dia em diante.
O apóstolo Paulo em sua tese a respeito da justificação do homem argumenta dizendo que o homem justificado deve agir como se estivesse morto para o pecado e vivo para Cristo. O homem antes da justificação estava num estado miserável, em pecado e separado de Deus.
O início do capítulo oito da carta aos romanos diz: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte.” Libertação espiritual, libertação do pecado, libertação da condenação, não mais escravo, agora é livre, para sempre livre. O homem fica livre para servir a Deus em novidade de vida. Eis algumas maneiras de se obter a libertação espiritual:
Em primeiro lugar, a libertação espiritual é pela vitória de Cristo. A Lei que Deus havia dado a Moisés só mostrava o pecado, ela não tinha nenhum outro poder, não podia livrar o homem da condenação, nem refazer a comunhão do homem com Deus. A Lei era inútil para lavar o pecado, a sujeira moral, o entulho putrefeito que existia dentro do homem. Ela estava impotente e inoperante no sentido de purificar o homem.
Conquanto a Lei fosse espiritual, todavia ela estava enferma e doente para socorrer o homem no seu estado de miséria e perdição. Como fazer para libertar o escravo? Precisava pagar o resgate. O Filho de Deus se tornou semelhança de carne pecaminosa, se tornou homem, encarnou-se, tabernaculou, veio ao mundo, viveu entre os homens, comeu, suou, cansou, dormiu, sofreu, enfim se identificou plenamente com o homem caído, assumindo a sua natureza humana, porém sem nenhum pecado.
Jesus teve a vitória sobre satanás. Embora tentado pelo maligno no deserto da Judéia, também pela multidão para ser rei após multiplicar os pães e peixes e por fim foi tentado a abandonar o projeto do Pai de ir á cruz, quando Pedro lhe reprova dizendo que jamais ele deveria permitir ir á cruz. Em tudo Ele foi mais do que vitorioso.
A vitória de Cristo Jesus foi retumbante sobre a morte. Paulo disse: “onde está ó morte a tua vitória? onde está ó morte o teu aguilhão?” A morte morreu na ressurreição de Cristo. O poder da morte se tornou nulo, pois Cristo venceu-a na cruz do Calvário e mais precisamente na Sua ressurreição. Paulo diz que o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos também ressuscitará o corpo mortal daqueles que nEle confiam.
Em segundo lugar, a vitória espiritual se dá pela rendição ao Espírito Santo. O apóstolo diz “os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne, os que se inclinam para o Espírito, cogitam das coisas do Espírito”. Quando o homem se entrega ao Senhor Jesus, quando ele se converte de todo o coração há uma rendição ao Espírito Santo de maneira posicional, isto é, o cristão está penhorado para Deus, ninguém mais poderá tirá-lo das mãos do Pai.
Calvino disse que a graça salvadora é irresistível, aqueles que Deus escolheu, Ele os justificou e os glorificou. É consenso entre os reformados que de fato é assim. Todavia uma vida rendida aos pés de Cristo terá necessariamente que demonstrar essa graça recebida através dos atos. Viver uma vida plena do Espírito, uma vida transbordante de paz e gozo, uma vida pronta para servir, amar e perdoar.
Assim sendo o homem demonstra que recebeu a graça irresistível quando se esvazia de si mesmo deixando o lugar para Deus encher. O Espírito santo enche a pessoa à medida que ela se submete ao seu controle. Não é o caso de receber mais do Espírito Santo, mas sim do Espírito receber mais do homem. Paulo diz: “os que estão na carne não podem agradar a Deus”; vós, porém não estais na carne, mas no Espírito; se viverdes segundo a carne caminhareis para a morte.”
Em terceiro e último lugar, a vitória espiritual se dá pela identificação com Cristo. “Todos que são guiados pelo Espírito são filhos de Deus”. Cristo teve uma vida inteira sendo dirigido pelo Espírito de Deus. Vida de obediência, de oração, de dependência, de humildade, de mansidão e de amor. Jesus sempre dependeu do Pai e do Espírito. Ao enfrentar os fariseus apontando os seus erros, ao falar de Herodes chamando-o de raposa, ao repreender os vendilhões do templo, ao expulsar espíritos malignos, ao curar cegos e coxos, enfim sempre na comunhão constante com o Pai.
Todo cristão tem necessariamente de se identificar com Cristo. Viver da maneira como Cristo viveu. Curar os doentes, dar pão ao faminto, libertar os cativos, amar os abandonados, dar esperança àqueles que estão desanimados e desmotivados. Viver para servir glorificando o nome de Deus entre os homens.
Assim como os negros aspiravam pela libertação física no Brasil, assim também os homens devem aspirar pela libertação espiritual. Se a libertação física foi obtida em definitivo por um decreto real a libertação espiritual foi obtida por Cristo na cruz e aplicada a cada um hoje, no aqui e agora através da fé. Vivendo na rendição ao Espírito Santo e na identificação com Jesus. Assim fazendo o homem estará debaixo de uma nova Lei – a lei do amor e da graça; debaixo de um novo Senhor, Jesus Cristo e usufruirá de uma nova vida, a vida em Cristo, ou seja, a vida abundante.
Rev. Washington Paulo Emrich

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